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Il Brasile ai limiti della Repubblica

Pubblicato il Pubblicato in Costume e Società, Little Italy, Recenti

IL BRASILE AI LIMITI DELLA REPUBBLICA

images-cms-image-000511243Il popolo brasiliano sa fare miracoli. Non dispone di un’entità metafisica con poteri divini. Ma con l’allegria ed una forza di volontà di origine misteriosa, noi facciamo l’impossibile. La rinascita del mio discorso – alquanto patriottico – avviene al termine degli ultimi Giochi Olimpici.

Dopo la Coppa del Mondo nel 2014, la capacità del Brasile nell’organizzare un evento di livello mondiale è stata nuovamente riconfermata davanti agli occhi del mondo. Le Olimpiadi, tenutasi a Rio de Janeiro, si sono svolte in un clima di severa sfiducia. Devo ammettere che il pronostico non era favorevole nemmeno ai nostri occhi. Diversi fattori minacciavano la reputazione ancestrale di un popolo che, essenzialmente, sa come offrire feste: la violenza epidemica di Rio, le malattie tropicali (la celebre Dengue, ma anche la debuttante Zika), le infrastrutture carenti, i problemi nel villaggio olimpico, l’instabilità della politica interna. Contrariamente da quello che il pessimismo internazionale – non senza dei validi motivi – aveva previsto, realizzato uno spettacolo che renderebbe orgogliosi persino gli dei esigenti del Monte Olimpo. Abbiamo fatto semplicemente quello che sappiamo far meglio: nei limiti, cercare di fare l’impossibile.

Ma gli stranieri hanno ormai lasciato il Paese. E noi brasiliani siamo rimasti con i nostri demoni da compagnia. Dieci giorni dopo la fine delle Olimpiadi, quando la nostra bocca aveva ancora il sapore della sbornia (ciò accade quando esageriamo con le bibite e l’euforia), la realtà politica brasiliana è tornata ad essere la protagonista solitaria di uno spettacolo drammatico. L’impeachment della Presidente Dilma Rousseff, messo in ombra dalla celebrazione dei Giochi, si è concluso. Come la maggior parte degli analisti politici aveva anticipato, il Senado Federal ha approvato la cassazione del suo mandato. L’era PT (Partido dos Trabalhadores, trad: Partito dei Lavoratori, iniziata nel 2003 con Luiz Inácio Lula da Silva) è giunta al termine. Attualmente il Brasile è governato dal suo vice Presidente, Michel Temer, del PMDB (Partido do movimento democrático brasileiro , trad: Partito del movimento democratico brasiliano) il quale pochi mesi fa, in un’arena politico-circense, aveva dichiarato di essere diventato l’alternativa a Dilma. Temer si è innalzato al potere nonostante una forte diffidenza politica e, soprattutto, popolare. Vi è un’asimmetria tra il sostegno politico ricevuto degli alleati per l’effettuazione del’impeachment – attraverso concessioni e alleanze di interesse, persino unendo nemici quasi shakespeariani – e il sostegno popolare per la realizzazione del processo.

 

 

Come Presidente in carica durante le Olimpiadi, ad esempio, Temer ha scelto di non parlare nella Cerimonia di Apertura per evitare i fischi di uno stadio gremito. Non ha avuto successo. Nelle palestre ha cercato di vietare le manifestazioni contro il suo Governo attraverso le Forze di Polizia (portare un cartellone con la frase «Fora Temer!» è stato sufficiente per l’espulsione dall’evento). Nella Cerimonia di Chiusura, poi, non ha nemmeno partecipato. Si tratta, chiaramente, di un governante impaurito del suo popolo. È fuggito delle manifestazioni pubbliche di riprovazione, specialmente per il suo ruolo nell’articolazione dell’impeachment, come se questo bastasse per commuovere l’opinione pubblica e dare legittimità morale all’evento.

images-cms-image-000514779Ovviamente, dopo l’impeachment, le strade brasiliane sono state dipinte con i colori della protesta. In diverse città, una parte significativa della popolazione è scesa in piazza per protestare contro il colpo di Stato parlamentare che sarebbe stato promosso da Temer e i suoi alleati. I manifestanti ad unisono hanno gridato un «Fora Temer!», il che si è rivelato sufficiente a disturbare la pace del nuovo Presidente. La reazione a questo esercizio democratico di protesta ha rivelato, però, un aspetto spaventoso del nuovo Governo. Mesi fa, quando le stesse strade furono occupate dagli avversari di Dilma, la polizia cordialmente assicurò l’integrità fisica dei manifestanti. Ora, la reazione del pubblico potere è stata assolutamente diversa: la brutalità delle forze dell’ordine, erede strumentale della nostra sanguionosa dittatura militare, è tornata in auge e si è caratterizzata come il marchio di fabbrica in riposta alle proteste contro il Governo Temer. Proiettili di gomma e gas lacrimogeni sono le uniche forme di dialogo riscontrate nella polizia.

Così, sembra che abbiamo raggiunto il limite della nostra politica repubblicana. Una Repubblica è un regime di differenze e posizioni opposte. La politica si svolge in questo punto intermediario tra i gruppi che competono come espressione della salute democratica. Il dissenso è essenziale, perché il consenso esiste solo nei regimi totalitari: un consenso che è solo apparente, simulato, per l’estensivo uso della violenza.

Noi brasiliani viviamo in questo limite. Lo stesso limite che raggruppa le cose che ogni giorno accadono qui. Lo stesso dei termini, delle date, della pressione internazionale.

Ma vivere ai limite della Repubblica, alla lunga, può diventare scoraggiante.

 

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O BRASIL NOS LIMITES DA REPÚBLICA

images-cms-image-000511243O povo brasileiro sabe fazer milagres. Não recebê-los, de uma entidade metafísica com poderes divinos. Com alegria e com uma força de vontade de origem misteriosa, fazemos o impossível. A comprovação para meu argumento de contorno ufanista renasceu nos últimos Jogos Olímpicos.

Após a Copa do Mundo de 2014, a capacidade de o Brasil organizar um evento de nível mundial foi novamente colocada à prova aos olhos do mundo. A Olimpíada, realizada no Rio de Janeiro, aconteceu em um clima de severa desconfiança. Devo admitir que o prognóstico não era animador, nem mesmo para nós. Diversos fatores ameaçavam nossa reputação ancestral de ser o povo que, por essência, sabe como oferecer festas: a violência epidêmica do Rio; as doenças tropicais (a célebre Dengue, mas também a estreante Zika); a infraestrutura incompleta; os problemas na Vila Olímpica; a instabilidade da nossa política doméstica. Ao contrário do que o pessimismo internacional – com certa razão – previa, sediamos um espetáculo que orgulharia até mesmo os exigentes deuses do monte Olimpo. Fizemos acontecer simplesmente porque é isto que fazemos de melhor: no limite, fazemos o impossível.

Mas os estrangeiros foram embora. E nós, brasileiros, ficamos com nossos demônios de estimação. Dez dias após o encerramento das Olimpíadas, quando em nossa boca ainda havia o gosto da ressaca (isso que acontece quando exageramos na bebida e na euforia), a realidade política brasileira voltou a ser a protagonista solitária de um espetáculo dramático. O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, ofuscado pela celebração dos Jogos, chegou ao fim. Como a maioria dos analistas políticos antecipava, o Senado Federal aprovou a cassação de seu mandato. A era PT (iniciada em 2003 com Lula) havia acabado. O Brasil agora seria governado por seu vice-presidente, Michel Temer, do PMDB – que num picadeiro de manobras políticas, poucos meses atrás havia declarado ter se tornado oposição de Dilma. Temer é alavancado ao poder diante de uma forte desconfiança política, mas sobretudo popular. Existe uma assimetria entre o apoio político recebido dos aliados para a realização do impeachment – por meio de concessões e alianças de interesse, unindo até mesmo inimigos quase shakespearianos – e o apoio popular para a consecução do processo.

 

 

Como presidente em exercício durante as Olimpíadas, por exemplo, Temer optou por não discursar na cerimônia de abertura para evitar as vaias de um estádio lotado. Não conseguiu. Nos ginásios, tentou proibir as manifestações contrárias ao seu governo utilizando a força policial (portar um cartaz com a frase «Fora Temer!» era o suficiente para a expulsão do evento). Na cerimônia de encerramento, sequer compareceu. Claramente, um governante com receio do próprio povo. Esquivou-se das manifestações públicas de reprovação, em especial por seu papel como articulador do impeachment, como se isso fosse o suficiente para comer a opinião popular e dar legitimidade moral para o evento.

images-cms-image-000514779Obviamente, após o impeachment, as ruas brasileiras ganharam cores de protesto. Uma parte significativa da população ocupou as ruas de diversas cidades para protestar contra o golpe parlamentar que teria sido promovido por Temer e aliados. Os manifestantes, em uníssono, gritaram um «Fora Temer!» que foi suficiente para perturbar a paz do presidente recém-empossado. A reação ao exercício democrático do protesto revelou uma face assustadora do novo governo. Meses atrás, quando as mesmas ruas foram ocupadas pelos opositores de Dilma, a polícia cordialmente assegurou a integridade física dos manifestantes. Agora, a reação do poder público foi absolutamente diferente. A truculência policial, herdeira instrumental de nossa sangrenta ditadura militar, retornou ao palco e foi a marca das manifestações contrárias ao governo Temer. Balas de borracha e gás lacrimogêneo foi a única forma de diálogo encontrada pelos policiais.

Com isso, parece que alcançamos o limite de nossa política republicana. Uma República é um regime de divergências e de posições contrárias. A política acontece nesse ponto intermediário entre grupos que rivalizam em expressão da saúde democrática. O dissenso é essencial, pois o consenso só existe em regimes totalitários: consenso que é apenas aparente, simulado pelo uso extensivo da violência.

Nós, os brasileiros, vivemos no limite. É no limite que as coisas cotidianas aqui acontecem. No limite dos prazos, nos limites das datas, no limite da pressão internacional.

Mas, viver no limite da República está sendo desencorajador.

 

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About Douglas Fedel Zorzo

CORRISPONDENTE DALL'ESTERO | Brasiliano, nato a Toledo (Paraná) nel 1989. Discendente di immigrati italiani, è laureato in Filosofia ed è dottorando in Etica e Filosofia Politica presso l’UNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Dichiaratamente repubblicano, è interessato ai problemi della democrazia odierna. Avido lettore degli scrittori del Rinascimento fiorentino, nel tempo libero si trasforma in un cinefilo e banjoista.

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